Mais, além do tango

Hoje é um dia especial para o povo argentino. Eles celebram o dia da bandeira, data importante para esse país  que é muito patriota. O conjunto de tradições argentinas é uma coisa peculiar, como há em cada um dos países. Cada um com seu jeito de ser, de falar, de caminhar, de se expressar. Ter passado um pequeno tempo da minha vida em um país tão próximo e ao mesmo tempo tão distante do Brasil foi fundamental para que eu pudesse compreender um pouco mais do que é a Argentina e todo nosso continente latino americano. Mendoza

Aos poucos aprendi diferenciar os sotaques que havia por lá, as expressões que só eles utilizam, o falar gesticulado, o valor do mate e do momento de compartilhá-lo. Me acostumei a escutar e a presenciar milongas de tango nas ruas e a ver manifestos com frequência. Também sabia que os parques estariam sempre cheio de gente nos fins de tarde principalmente aqueles com sol, o mesmo sol que está na bandeira, que em Mendoza brilhava com intensidade a maior parte do ano.

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Mais do que isso, aprendi que existe uma relação muito bonita entre brasileiros e argentinos, apesar de toda rivalidade boba por trás do futebol. Brincadeiras à parte, somos de fato parecidos em muitas coisas e totalmente distintos em outras. E essas diferenças que faziam os dias lá serem cheios de surpresa e aprendizado. Hoje já faz mais de um ano que voltei, e ontem vi um filme que me fez sentir na pele uma saudade intensa de cada pedacinho da argentina que eu vivi. Conversaciones con mamá, mais uma pérola do cinema argentino é capaz de nos transpor para uma realidade a parte, construída nas reflexões e aprendizados despertados pelo filme.

A música, a cidade, a família, a comida, tudo representando costumes típicos do país Hermano. Mas, a reflexão sobre os valores e principalmente a forma com que as pessoas lidam com o ser e o parecer, em uma sociedade onde a aparência muitas vezes parece e é a coisa mais valorizada cabe a qualquer outro cenário.  Poderia ser a história de muitas outras pessoas, em qualquer parte do mundo, por se tratar de um assunto que não escolhe país, está presente sobre a vida humana e sobre a forma das pessoas de enxergarem o mundo. A produção foi feita em 2004, mas o tema central faria sentido se visto há muito tempo atrás e continuará sendo atemporal para as gerações futuras, na minha humilde opinião. Além da história, que aparenta ter sido construída com carinho, a fotografia é capaz de transmitir um pouco mais da Argentina que poucos conhecem. Mais uma vez me surpreendo com o cinema argentino, já convencida de que a gente precisa mesmo mergulhar nesse mundo cultural intenso que é a América Latina, sem a venda do preconceito que nos foi colocada e que nos faz exaltar apenas o norte-americano/europeu. Através do cinema se pode olhar para os que estão e sempre estiveram, literalmente ao nosso lado, e poder sentir a proximidade histórica que nos une.

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