Rodolfo Minari fará show nesta sexta-feira em Ubatuba

Direto de Rio  Branco, no Acre para Ubatuba, o cantor e compositor Rodolfo Minari fará um show nesta sexta-feira, dia 2 de junho, à partir das 21h30 no bar Pé na Jaca. O trabalho musical de Minari é composto por canções que viajam por meio das culturas brasileiras, cantos indígenas, e músicas infantis que encantam o público de todas as idades.

Nesta rápida turnê pelo estado de São Paulo, Minari retornou à Ubatuba, local que esteve no ano passao (2016) junto aos artistas da Caravana Mundo Palco, que promoveram uma série de atividades artísticas na cidade. O trabalho infantil do músico circulou escolas, espaços culturais e a rua de Ubatuba levando sons que falam de diversos encantos e da natureza brasileira.

O show acontece nesta sexta-feira, no Pé na Jaca Bar, localizado na Av. Leovigildo Dias Vieira, 1524 – Itaguá, Ubatuba  – mais conhecida como a avenida beira-mar do bairro Itaguá.

CD ASSOVIO

CD TERREIRO

Saiba mais sobre o trabalho de Rodolfo Minari

Nascido em 1980, ele é compositor, músico, educador e poeta. Lançou os CDs independentes Assovio (2013) e Terreiro (2016). Com o show Assovio circulou por mais de 10 estados do Brasil além de Chile, Argentina, Peru e Bolívia. As canções de Terreiro venceram diversos festivais nacionais de MPB, incluindo o 50º FEMUP (Paranavaí-PR), 18º FESC (Juazeiro-BA) e o 3º Festival da Canção de Mogi das Cruzes (SP), entre outros, além de ser o vencedor brasileiro do 2º Concurso Iberoamericano de Composición de Canción Popular IBERMUSICAS. Também percorreu, com cinema, teatro, música e educação ambiental, seringais, aldeias, quilombos às margens dos rios Purus, Acre, Juruá (AC) e Guaporé (RO/BOL), como convidado dos festivais de cinema FestCineAmazonia, Sembrando Cine e Pachamama, também com o Grupo Experimental de Teatro de Rua e Floresta Vivarte, bem como em projetos independentes. É autor, ainda, de poemas premiados, trilhas sonoras para teatro, do monólogo musical infantil O dia que Liro sumiu, e do método Letra e Música – Estratégias de composição popular.

Célio Turino estará na Assembleia Cidadã da Cultura em Ubatuba nesta quarta!

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Ubatuba receberá o historiador, escritor e gestor de políticas públicas Célio Turino para um encontro com artistas, conselheiros, gestores, técnicos e demais interessados na área cultural.  A Assembleia Cidadã da Cultura é uma iniciativa da FundArt e do Conselho Municipal de Políticas Culturais (CMPC). O formato do evento proporcionará ao público conhecer um  pouco mais do cenário cultural atual e a importância da participação cidadã por meio dos conselhos municipais.

A Assembleia Cidadã da Cultura acontece na próxima quarta-feira, dia 29 de março, a partir das 18h no Auditório da Unitau – Campus Ubatuba, localizado na Avenida Castro Alves, 392 – Itaguá, Ubatuba-SP.

Confira a programação:

18h – Palestra “A importância dos Conselhos Municipais de Cultura” com Célio Turino.

20h – Roda de conversa sobre Cultura e Cidadania – Participação de Aluízio Marino.

Conheça um pouco mais sobre os convidados:

Célio Turino

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Célio coordenou a criação dos Pontos de Cultura, que originaram o programa Cultura Viva, iniciativas culturais que viraram referência, sendo implantadas e adaptadas em diversos países. Em 2015 foi convidado pela Academia de Ciências do Vaticano para ministrar a Conferência de abertura no tema “Cultura, Educação e Emancipação” durante o Congresso Mundial do programa “Scholas Ocurrentes” (Escolas do Encontro) a ser lançado pelo Papa Francisco, com o objetivo de envolver 60 milhões de jovens em todo o mundo. Autor e organizador de livros e ensaios, entre os quais: NA TRILHA DE MACUNAÍMA – ócio e trabalho na cidade (ed. SENAC, 2005) e PONTO DE CULTURA, o Brasil de baixo pra cima (Ed. Anita Garibaldi, 2009), tem se dedicado atualmente ao lançamento de seu próximo livro no qual aborda experiências de cultura e cidadania para profundas transformações sociais na América Latina. Também atua como colunista da Revista Fórum.

Acesse: http://www.celioturino.com.br/

Aluízio Marino

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Aluízio Marino é mestre e doutorando em Planejamento e Gestão do Território pela Universidade Federal do ABC. Especialista em Gestão de Projetos Culturais pelo Centro de Estudos Latino Americanos sobre Cultura e Comunicação (CELACC). Bacharel em Gestão de Políticas Públicas pela Universidade de São Paulo (USP). Pesquisador e militante da cultura, colabora com o Movimento Cultural das Periferias, o Fórum de Cultura da Zona Leste e com a gestão compartilhada do espaço São Mateus em Movimento. Educador social, realizou formações no Brasil e outros países dá América Latina, com temáticas como: cultura e território, cartografia social, gestão de projetos e cultura digital. Consultor, realizou trabalhos com organizações como a UNESCO e a Prefeitura de São Paulo.

SERVIÇO
Assembleia Cidadã da Cultura
Data: 29 de março (quarta-feira)
Horário: 18h às 22h
Local: Auditório Unitau – Campus Ubatuba, localizada na Avenida Castro Alves, 392 – Itaguá, Ubatuba-SP.
Entrada Gratuita

Fonte: FundArt

Barbeiragem: muito mais entre as mãos do condutor e a arte na cabeça

O projeto que será ativado a partir do próximo final de semana no Festival no Rio de Janeiro, relata o cotidiano de Gessica Justino e sua relação com seus barbeiros na favela da Mangueira.

Em um país de racismo e desigualdade, a luta das mulheres e homens negros por sobreviver é diária. Contar suas histórias, criar suas vidas e existir. Um drible aqui, uma barbeiragem acolá. Foi nesse contexto que a produtora e idealizadora Géssica Justino, na comunidade da Mangueira, no Rio de Janeiro, resolveu transformar em documentário a relação com seus barbeiros, profissão marginal e histórica dos homens negros dessa cidade, capaz de criar universo de valores que ultrapassam os fios e as navalhas.

“O Barbeiragem nasce da necessidade de documentar a relação de amizade e companheirismo que eu criei com Mineiro e Papinho, meus dois barbeiros, da favela da Mangueira”, conta Justino. “ As barbearias das favelas são quintais,, são lares e quem chega pode se tratar de diversas formas, é como se fosse a família que eu escolhi viver”, completa. Segundo ela, além das milhares de histórias que se passam nesses locais, os barbeiros são verdadeiros artistas, que seguem resistindo numa sociedade que marginaliza e criminaliza os homens negros. “Eles fazem barbeiragens diárias para sobreviver”, pontua.

O documentário, tem roteiro e direção de Yasmin Thayná e contou com o apoio da Rider para sua realização. Clique no link abaixo e veja o teaser do que vem por aí!

“Mais do que falar dos barbeiros e da sua profissão, Barbeiragem é o conjunto que une uma experiência audiovisual e diversas ativações que falam da magia energética que pode existir em barbearias de favelas  e a relação deste universo com valores humanos que ultrapassam a relação comercial e estética”, destaca a criadora. Ela ressalta também que a barbearia se transforma no espaço de orientação, de conexão, de aprendizado, sonhos, de quebra de paradigmas e que o valor cultural e subjetivo que existe nestes espaços evidenciam as barbeiragens necessárias  para fazer a vida acontecer todos os dias. A idealizadora do projeto explica, sobretudo, que o foco central da história toda, é, mostrar, questionar e evidenciar o que esse homem negro fez e faz para se manter vivo dentro de espaços carregados de violência.

O projeto Barbeiragem será ativado no Festival #DapraFazer. A exibição acontece no Rio de Janeiro, nos dias 18 e 25 de março e nos dias 1 e 8 de abril, na programação do “Cinemão” dentro do festival. Além da exibição do vídeo que será numa sala de espera, os presentes terão a alegria de encontrar e conhecer pessoalmente os dois barbeiros personagens do documentário estarão trabalhando para o público que tiver interesse nos serviços, e o pagamento será nos moldes “pague o quanto quiser”.

Com a palavra, os donos da navalha.

“O carinho e o convívio com as pessoas é o combustível para o meu dia a dia. Barbeiro tem que ser amigo, médico, psicólogo, tem que ser tudo”, conta Raimundo Nolasco, conhecido como Mineiro. O barbeiro de 30 anos de profissão relata o orgulho de poder compartilhar com o povo sua profissão e as peripécias desse ofício. “Tenho muito orgulho de fazer o trabalho que eu faço e acredito que o Barbeiragem veio pra somar, estamos felizes de fazer parte disso, aqui pra muita gente é morro, é favela, mas pra mim é um lugar muito digno de se morar, temos contatos com as pessoas, conversamos sobre as nossas vidas, nossos sonhos, tenho plena certeza de os sonhos de cada um aqui serão realizados.

“Eu, particularmente, pelo pouco que vi das filmagens, tenho muito orgulho de ter participado. Nunca havia participado de um projeto desse. A repercussão está sendo muito bacana e estou alegre, as pessoas têm comentado muito comigo aqui no salão. Tenho certeza que esse projeto vai ajudar muitos outros barbeiros a serem reconhecidos no mundo, pessoas que fazem ao vivo e a cores. Há muitos profissionais nessa área que são maravilhosos, são artistas e ninguém conhece”, relata o profissional que está ansioso para ver a versão final do documentário.

Fotos: Thásya Barbosa

Confira as datas das exibições do Barbeiragem na cidade do Rio de Janeiro. Acompanhe tudo sobre o projeto na página do Facebook.

18/03 – Centro RJ
25/03-  Madureira
01/04- Duque de Caxias
08/04- Recreio dos Bandeirantes

B A R B E I R A G E M

No caminho entre a palavra e a navalha, o toque e o assobio da escova no couro.

Minha cabeça é o guia.

O corre das linhas e o corre do dia.

Com a mente e o pêlo em sintonia.

Muito mais entre as mãos do condutor e a arte na cabeça, relações são geradas.

De cabeça em cabeça nossa rede, nossa troca de idéias.

Barbeiragem do ontem e de agora.

Desce o pente, corre a trilha.

Barbeiragem mostra o cotidiano da relação construída entre Gessica, Papinho e

Mineiro em duas barbearias da favela da Mangueira, no Rio de Janeiro.

Os barbeiros, Mineiro e Papinho, entre gambiarras, sem caminhos de rato e muita fé, acreditam, sempre, que dá pra fazer, e são as figuras chave nessa trajetória de encontro e cuidado.

Quais as barbeiragens necessárias para estar e se manter vivo?

A barbearia da comunidade vai além do corte, é lugar de encontro, acolhimento e

trocas, verdadeiro consultório do corpo e abrigo da alma. Onde se transforma vaidade

em penteado, história em ensinamento, vivência em confiança, conversa em amizade.

O respeito no toque, o som da máquina, a navalha desenhando geometrias entre

risadas. A bênção de séculos da profissão honrada e ressignificada

pela correria cotidiana. Fazer a cabeça vira arte.

Papinho e Mineiro são barbeiros autodidatas e sabem melhor que ninguém, que a cabeça é o guia. E de cabeça eles entendem.

Espelho. Sorrisos. Um beijo. E vai.

Siga sua cabeça.

Faça seu rumo.

Inscreva-se para para curso de Teatro do Oprimido em Ubatuba!

O curso irá trabalhar em um módulo intensivo o método desenvolvido pelo brasileiro Augusto Boal, que é praticado no mundo todo e  busca investigar as opressões sofridas em diferentes âmbitos sociais de maneira lúdica e teatral. As atividades serão realizadas durante 4 encontros, nos dias 25 de março e nos dias 1, 8 e 9 de abril em Ubatuba.

Para fazer o curso não é necessária experiência prévia com teatro e recomenda-se que os inscritos sejam maiores de 14 anos. As inscrições podem ser realizadas pelo e-mail cardere@gmail.com. O valor do investimento é de 100 reais pelo curso todo e os encontros irão acontecer no Centro Sociocultural Kantuck.

Em novembro de 2016, foi organizado em Ubatuba, o II Encontro da Rede Sem Fronteiras de Teatro do Oprimido. Esse evento fez com que despertasse o interesse da comunidade local em discutir esse método teatral e o curso proposto é fruto do encontro e da vontade de fazer com que haja um grupo que multiplique o TO na região.

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Rodrigo Caldeira, que irá ministrar a oficina, faz parte do Coletivo Garoa de São Paulo (que alia o Teatro do Oprimido com outras pesquisas estéticas) e atua como Curinga (facilitador do Teatro do Oprimido) desde 2010. Ator profissional com 30 peças realizadas, organizou o II Encontro Sem Fronteiras de Teatro do Oprimido em 2016 na cidade de Ubatuba.

Diversas dinâmicas e atividades serão desenvolvidas, sobretudo, com o objetivo de encontrar alternativas de luta contra de maneira teatral, coletiva e interativa, por meio de jogos que visam desmecanizar nossa forma de agir e pensar.

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  • Serviço:
    Curso de Teatro do Oprimido em Ubatuba
  • Público: indicado para maiores de 14 anos, jovens e adultos – não é necessária experiência prévia em teatro
  • Valor: R$100,00
  • Inscrições: pelo e-mail cardere@gmail.com
  • Datas: 25 de março – 1, 8 e 9 de abril de 2017
  • Local: Centro Sociocultural Kantuck, Rua Vasco da Gama – 250, loja 3

Design Gráfico: Ananda Barreto

Venha participar do Baque da Virada, em Ubatuba!

O evento irá celebrar a passagem de 2016 para 2017 na praia da Barra Seca em Ubatuba, litoral Norte de SP.

As inscrições estão abertas para essa grande festa que vai acontecer entre o dia 28 de dezembro a 2 de janeiro do ano que se anuncia. De volta após algum tempo sem acontecer, o “Baque da Virada” e escolheu a cidade de Ubatuba e a praia da Barra Seca para festejar com muito batuque a virada do ano.

Esse grande festejo que reúne batuqueiros de vários lugares, pretende prestar reverência e homenagens a ancestralidade afro-brasileira por meio da cultura do maracatu de Baque Virado. Além disso, reunir amigos e fortalecer os laços de união através da cultura como forma também de refletir sobre a importância do papel que essa manifestação desempenha em nossas vidas.

A organização deixa aberto o convite para aqueles que desejam propor vivencias, oficinas e demais atividades para os dias de evento. Os baques e tocadas serão realizados somente na praia para que haja respeito com os moradores da comunidade.

As atividades são todas gratuitas e abertas. O alojamento para aqueles que precisam de hospedagem será feito em um galpão próximo a praia e a colaboração para todos os dias de evento é de 70 reais. O local conta com espaço para camping e cozinha comunitária. A organização solicita que, se possível, fazer o pagamento adiantado com envio comprovante no email baquedavirada@gmail.com (Itaú Ag.: 4841 C.C: 21.804-5 – CPF 310.428.288-90

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Venham equipados com barraca, colchões, repelente e tudo aquilo que acreditarem ser necessário para uma vivência roots perto das matas, praias e cachoeiras. Aceitamos propostas culturais e artísticas para compor a essa programação de férias.

Saiba mais sobra a história do “Baque da Virada”                           

Na passagem do ano de 2006 para 2007, ocorreu pela primeira vez a iniciativa de um grupo de amigos batuqueiros que se uniram para celebrar a chegada do ano novo. Nascia o “Baque da Virada”. Entre 2006 e 2013, a celebração aconteceu em Paraty-RJ, no Quilombo do Campinho.

Houve um intervalo de dois anos em que o evento não ocorreu. Nesse período, os participantes das edições anteriores sentiram muita falta da energia e do axé dessa grande festa.     Foram momentos maravilhosos de compartilhamento de emoções fortes que deixaram como marca registrada o desejo de paz e harmonia para cada ano que começava.

Dúvidas podem ser tiradas pelo telefone (24) 99904-6223 (somente Whatsapp) ou na página do evento no facebook.

Recomendações

– o espaço para acampamento deverá ser reservado para descanso, banho e alimentação;

– pedimos que os batuques sejam realizados somente na praia;

– diariamente, nos reuniremos para batucar das 17h às 20h;

– vamos evitar fazer barulho nas áreas de acampamento em sinal de respeito aos que vão nos receber;

– cuidem do lixo e mantenham os espaços de convivência organizados; – devemos prezar pelo bom senso e sabermos separar a diversão dos excessos;

– no galpão destinado ao acampamento, haverá uma cozinha coletiva da qual deveremos cuidar para que todos possam utilizar quando precisarem;

– nas imediações da praia, haverá opções de refeições e PFs e também alguns batuqueiros trarão quitutes para vender.

 

Nos caminhos do samba de coco

Não é de comer, mas me alimenta a alma. Ficaria um bom pedaço da vida numa roda de coco bem tocada. Eu escuto daqui de baixo o sotaque de lá de cima e tento imitar. Lembro da minha vó, pernambucana. Lembro de amigos queridos que conheci na roda, lembro de gente que não conheci ainda, das mestras e mestres que já se foram e de um pedaço do Brasil pouco conhecido, que fica fora dos eixos. Não se toca no rádio nem na televisão.

E em cada canto desse nordeste imenso invetaram uma forma de cantar e dançar a vida num coco diferente, todos lindos e nenhum com menos valor do que o outro. Transformados pela geografia, dos sertões a beira da praia, o coco nasceu de um jeito. Mais do que um estilo musical e de dança, é uma manifestação cultural. Palavra mais bonita é essa né? Manifestação! No dicionário diz que é alguma forma de se expressar, ou então a maneira como Deus se comunica com seu povo e eu acho que o coco (assim como outras manifestações culturais) é mesmo isso. Deus falando com a gente no chocalho do ganza, na batida do bumbo e no repique ligeiro do pandeiro.

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No último sábado, dia 26, uma roda de coco bem animada invadiu a praça do Sobradão do Porto em Ubatuba. Ao lado da barra dos pescadores e do rio que se encontra com o mar, muita gente passou por ali pra brincar coco com a gente. Teve gente saindo das pousadas, crianças correndo pra ver, botequeiros de copo nas mãos querendo saber o que era aquele som.

E pra quem quiser mergulhar mais neste universo colorido e cheio de descobertas, recomendo aqui cada minuto do documentário “Caminhos do Coco”. O filme foi exibido recentemente em Paraty e Ubatuba, feito pelo Coletivo Ganzá e por mais alguns parceiros . Com a benção dos ancestrais, o documentário viaja seis estados do Nordeste e mostra (uma pequena parte, acreditem) um percorrido do samba de coco no Brasil, passando por 8 grupos diferentes. Aí embaixo tem o trailer pra deixar com vontade de ver o filme inteiro.

Salve todas as mestras e mestres que mantém, fortalecem e promovem as nossas culturas populares! Viva o samba de coco e sua alegria que irradia por onde passa!

Saiba como foi o Encontro de Teatro do Oprimido em Ubatuba!

Ouvir as comunidades tradicionais que são invisíveis perante o turismo de massa que se aproxima com a chegada da temporada, construir novas forma de pensar a arte junto ao território tradicional, conhecer a Ubatuba que poucos veem. Tudo isso permeou a produção e a realização do II Encontro Sem Fronteiras de Teatro do Oprimido (TO), que aconteceu de 12 a 15 de novembro.

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O evento foi organizado de maneira independente por parceiros da Rede Sem Fronteiras de TO e pela produtora Canoyá. Além disso, contou com o apoio institucional da Prefeitura Municipal institucional por meio da FundArt, da Secretaria de Educação e da Secretaria de Obras.  Ainda que, para concretizar o que parecia uma utopia por conta da ausência de aportes financeiros, diversos parceiros locais fortaleceram o movimento do encontro com doações que foram fundamentais para que tudo se tornasse realidade.

E como manda a tradição em Ubatuba, a chuva (que no fundo anuncia bons presságios), chegou e ficou do começo ao fim do encontro. Em media 80 pessoas de grupos de teatro ou interessados no encontro chegaram até a terra das canoas. Vindas de outros países, estados e de muitas cidades de São Paulo, cada um pode contribuir um pouco para que o evento se tornasse algo inesquecível para quem é de dentro e de fora da rede.

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“A abertura, que foi realizada no dia 12 de novembro, nos fundos do Sobradão do Porto da FundArt, contou com a presença da incrível Bárbara Santos, que lançou seu livro “Raízes e Asas”.  A obra apresenta um conteúdo completo sobre a estética do oprimido e muito da trajetória da mulher que acompanhou o trabalho de Augusto Boal por mais de 20 anos”, conta Rodrigo Caldeira, integrante do Coletivo Garoa e um dos produtores do encontro. Após o lançamento do livro, Bárbara mediou uma roda de conversa com a participação de Vanda Mota, Sá Ollebar e Daniela Garcia.

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Atividades fora do centro e perto da gente

Organizado em 4 dias, grande parte das atividades do evento aconteceram espalhadas pelo município. As parcerias com projetos como o Gaiato, Instituto da Árvore, Projeto Bacuri (sertão do Ubatumirim), aldeia Boa Vista, Espasol entre outros, fizeram com que oficinas e apresentações artísticas acontecessem em locais fora do centro. “O que marcou pra mim do encontro foi a abrangência e diversidade de localidades que de alguma forma tiveram contato com algum grupo ou pessoa da Rede Sem Fronteiras de TO”, destacou Caldeira.

Segundo ele, ao descentralizar as atividades e levar as oficinas e peças de Teatro do Oprimido para comunidades mais afastadas do centro, os integrantes dos grupos de teatro também abriram seus horizontes para diferentes realidades e opressões que estão ocorrendo neste território e que ficam invisíveis. “Ao levar uma oficina, ganhávamos muito mais em troca e nos solidarizávamos com a opressão dos outros ao mesmo tempo em que ampliávamos os pontos de contato com comunidades que não costumam ter acesso a teatro”, completa.

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Vamos fazer TO em Ubatuba?

“Eu vi no TO uma ferramenta incrível de transformação da realidade da qual não conhecia. Fiquei muito interessada em saber mais, fazer algum curso para poder trabalhar com isso depois”, disse Tami Albuquerque, moradora de Ubatuba que acompanhou todos os dias de programação do encontro. A oceanógrafa que atua em conselhos como o de Meio Ambiente em grupos de apoio as mulheres considerou a relevância do formato que levou oficinas para lugares diversos.

Assim como ela, demais pessoas de Ubatuba que participaram das oficinas, das apresentações e das rodas de conversa, viram no teatro do oprimido uma nova forma de construir e pensar a arte, sempre com olhar crítico e como agente transformador da realidade. “Eu acredito que precisamos criar um grupo, trabalhar esse tema nas escolas, nas comunidades tradicionais. Temos aqui, assim como em tantos outros lugares no Brasil, diversos grupos oprimidos como quilombolas, caiçaras, indígenas, as mulheres e vejo em Ubatuba tem potencial para desenvolver essas ferramentas”, finaliza.

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“Depois de quatro dias de evento, o assunto reverberou bastante na cidade e vejo que nossa missão agora é não deixar esse morrer. Nossa ideia é continuar fazendo atividades e fazer com que as lutas se somem e formem ondas maiores ainda de reverberação”, conta Rodrigo Caldeira.  “Não havia em Ubatuba a prática do Teatro do Oprimido e é fundamental desenvolver um grupo aqui na cidade, pois a demanda por um teatro crítico que pense a arte como ferramenta de transformação, é muito grande”, completa.

A arte como ferramenta de luta dos povos e comunidades tradicionais

Mesmo com a chuva que não parou um só instante, os grupos de participantes se deslocaram para o quilombo de Camburi, a aldeia Boa Vista e o sertão do Ubatumirim. Na proposta da troca de saberes, todo mundo aprendeu e ensinou com mestres, griôs e pajés que vivem nesse território cheio de diversidade cultural.

Toda essa luta e resistência também estiveram presentes na segunda-feira, dia 14, na mesa de encerramento do evento, que discutiu a arte como ferramenta de luta dos povos e comunidades tradicionais de Ubatuba e da região como um todo. Carolina Barbosa, representante do Fórum de Comunidades Tradicionais (Angra, Paraty e Ubatuba) apresentou o trabalho desenvolvido pelas frentes de luta do FCT. “Nós trabalhamos com turismo de base comunitária, educação diferenciada, agroecologia, saneamento ecológico e com a cultura como forma de defender o território”, disse.

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“Nós mostramos que não é preciso o saber acadêmico para que possamos ensinar. Eu não tenho medo de falar com ninguém, nem de me posicionar contra a retirada dos nossos direitos”, ressaltou Marcos Tupã, liderança guarani da aldeia Boa Vista. Cleo Kerexu, da aldeia Boa vista contextualizaram a educação indígena na comunidade e a importância da língua para que suas tradições sejam diariamente mantidas.

Em uma roda de conversa com mais de cem pessoas atentas ouvindo e perguntando, os indígenas, caiçaras e quilombolas falaram sobre as diversas realidades de Ubatuba que sempre ficam ocultas pelo turismo de massa que invade o município. Mário Ricardo de Oliveira, conhecido como Mário Gato, contextualizou a história dessa terra cheia de entraves políticos, interesses imobiliários e muita resistência por parte das comunidades tradicionais. O público presente participou ativamente da prosa que também contou com a participação de Sr. Alcides, quilombola de Camburi.

“O Teatro do Oprimido é uma ferramenta disponível a qualquer luta contra injustiça. E cabe sempre aos seus praticantes, dentro de uma ética transformadora, se unir a movimentos que já tem suas bandeiras de luta. Em Ubatuba certamente criou-se um vínculo da Rede com o Fórum de Comunidades Tradicionais que luta contra os ataques aos seus territórios e, consequentemente, às suas culturas e tradições”, relata Caldeira. O ator conta também que num âmbito mais macro, percebe-se diversas outras opressões dentro das próprias comunidades, como violência contra a mulher e outras opressões de gênero, a opressão contra a liberdade religiosa ou de livre expressão cultural, entre outras.

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“Mais do que criar um grupo de TO, penso que o processo de transmissão do conhecimento do método para toda comunidade que tiver interesse, para que se passe o conhecimento e os meios de produção da criatividade e da formação de um imaginário de realidades possíveis. Dessa forma, as próprias comunidades podem se apropriar do método e desenvolvam sua própria estética, seja no centro, na periferia, no quilombo, na aldeia ou em comunidade caiçara”, finaliza Caldeira.

Para quem participou, gostou e quer somar ao movimento de construção de um grupo de Teatro do Oprimido em Ubatuba, fique atento que em breve começaremos as primeiras oficinas de formação. Aqueles que perderam o evento mas também se interessam, também poderão saber mais sobre essa forma de fazer arte com conteúdo crítico e que carrega possibilidades de transformar a realidade.

Ao final de quatro dias, muitos laços foram formados. Pessoas se conhecendo e se reconhecendo, povos tradicionais ensinando e compartilhando suas histórias e uma outra forma de pensar o fazer teatral foi inaugurada na cidade. Nós da equipe organizadora agradecemos a cada um dos parceiros que acreditou e que nos ajudou a construir esse projeto! Agradecemos a Rede Sem Fronteiras e reforçamos o convite aos grupos, que voltem sempre pois as portas estão abertas!

Viva a arte sem fronteiras e as culturas tradicionais dessa terra cheia de diversidade!