Apresentando o Chico.

Eu levei alguns dvds daquela coleção do Chico, na mesma aula sobre as regiões. Pensei que seria legal falar um pouco dele, de como sua música foi e é marcante em toda história da música brasileira e todas aquelas coisas mais sobre ele e sua genialidade. Achei um tanto engraçado, que logo após ouvir um pouco, os dvds já foram sendo agarrados em cima da mesa. Aí eu vi que já tinha valido a pena.

O que aconteceu foi que eu pude ver, nos olhos de cada um sentados naquela sala, enquando passava o vídeo do Chico cantando Tatuagem – aquele em que ele e o Caetano estão novinhos e com um visual ao gosto da época – a sensação de descobrir uma música incrível. Cheia de poesia, de contrantes, de altos e baixos que fazem a voz do cantor ficar ainda mais em sintonia com as melodias, uma a uma, milimetricamente pensadas e compostas.

Eu não tenho a musicalidade e o talento necessários para comentar a obra desse célebre poeta-mestre da música brasileira, mas falo como uma leiga admiradora de seu trabalho, tanto como músico como escritor, ouvir e saber compreender as canções do Chico é parte fundamental do aprendizado do “viver brasileiro” Acho até que se trata de compreender um português diferente, falado pelas mais diversas classes em diferentes momentos da história do Brasil.

Desde os censurados da ditadura até o mais intímo sentimento de amor feminino, que ele sabe interpretar como poucos.

Já falar da literatura, não da pra descrever o que é o Chico escritor. Grandioso porporcionalmente à música. Em seu último livro, Leite Derramado  é um daqueles livros que fazem você ser reportado da realidade presente, e te levam a um tempo paralelo, a uma crônica carregada de sentimentos e sensações únicas. Não só esse, mas os outros livro dele são incríveis. Uma leitura que não se compara, por isso, é difícil achar as palavras certas para descrevê-la.

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“Não há uma língua portuguesa, há línguas em português”

Essa frase de José Saramago aparece no documentário “Línguas, vidas em português”. A produção feita em parceria com os países lusófonos apresenta um panorama do idioma falado por quase 300 milhões de pessoas no mundo todo e em cada lugar ganhou um toque peculiar.

Através de uma viagem por paisagens distintas e distantes umas das outras que apesar dos pesares se compreendem ao falar, o doc convida o espectador a pensar sobre a língua e suas influências no nosso modo de ser e estar no mundo.  Dirigido pelo moçambicano Victor Lopes, que mora há mais de 25 anos no Brasil, o filme retrata diferentes histórias de falantes do idioma. Personagens ilustres famosos ou não representados em seus “cotidianos” de saberes, crenças e costumes em cada continente em que se encontram.

Nas palavras do escritor de Moçambique Mia Couto, o idioma é evidenciado como “viajante” a descobrir novos lugares, ritmos e palavras a cada instante, em constante aprendizado e mudança.”No fundo, não estás a viajar por lugares, mas sim por pessoas”