Pelos sabores brasileiros

Ao invés de irmos a Unesp para fazer uma aula sobre Gastronomia Brasileira, no dia 29 de outubro a minha casa se tornou o local onde o chefe Maurício de Faria preparou deliciosos pratos inspirados nos ingredientes mais tradicionais da culinária local explicando um pouco sobre cada um deles, e é claro fazendo com que todos se deliciassem com as receitas que ele preparou.

E para acompanhar, além da decoração verde e amarela, muito suco de caju e maracujá. Muitos deles nunca tinham experimentado nem um nem o outro.

O cardápio que o Maurício preparou pra gelera foi:

Entrada: Escondidinho de mandioca com carne-seca

Prato Principal: Peixe ao molho branco com banana da terra

Sobremesa: Pudim de Leite condensado

Pode ser mandioca, aipim , macaxeira, maniva, uaipi. A forma pela qual a  mandioca foi incorporada ao nosso dia-a-dia transmitida pelos povos originários fez com que ela se tornasse um ingrediente essencial da comida brasileira. Podendo ser adaptada aos mais diversos pratos. Passando pela gastronomia gourmet dos restaurantes mais renomados do país, e estando presente junto ao “feijão com arroz” de todo dia, na farofa, nos purês, na carne, com açúcar no café da manhã nordestino, no milagre da tapioca e em tantas outras coisas. Ela representa a criatividade do brasileiro na hora de preparar um prato, e mais do que isso é um sabor que agrada a todos, pois está em nossa genética indígena saboreá-la em suas diferentes formas.

Assim como a carne -seca, consumida em diversas partes do mundo, em algumas regiões brasileiras ela passou a fazer parte da culinária diária, como no Nordeste. E pra completar a mescla de sabores, o catupiry   (queijo cremoso que ganhou o nome da primeira marca) presente e adaptável a muitos pratos, deu um toque ainda mais especial ao escondidinho (que foi um sucesso logo de cara).

Muito típico nas regiões litorâneas do Paraná, de São Paulo e do Rio de Janeiro, o peixe com banana da terra servido como prato principal também surpreendeu a galera. Misturar o doce e o salgado, em texturas diferentes é uma das artes da nossa comida. Essa tradição caiçara como é chamada, ganhou o requinte feito pelo nosso chefe, onde o peixe estava sobreposto a banana e para dar um sabor especial, o molho branco. Claro que ele foi servido com arroz para acompanhar. Ficou demais!

O famoso e clássico pudim de leite condensado finalizou o cardápio do chefe. Prato preferido de muitos brasileiros, conta a lenda que a receita foi trazida pelos portugueses, e se adaptou muito bem ao gosto dos brasileiros tornando um prato típico e presente sempre nos almoços de família e em todos os lugares.

Obrigada Maurício, pelos pratos, pelo sorriso enquanto preparava tudo e por passar pra essas pessoas lindas, de diversos lugares do mundo, um pouco mais sobre nosso querido Brasil.

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Por falar em Brasil, a primeira aula.

Bom, na nossa primeira aula – que infelizmente não temos o registro fotográfico ou a foto-chamada completa (faltou né Gerry?) – a gente começou conversando sobre como seria a oficina. A verdade é que eu tentei falar da ideia e de como me faz bem pensar que estou podendo colocar em prática esse sonho que nasceu em terras argentinas e idealizado por um amigo mexicano.

Fotos: Garoto Gerry

Como eu disse, a ideia veio da argentina, e junto com os hermanos do grupo, sempre tem um mate, instensificando a mescla de culturas que acontece.

O que eu quis deixar claro é que a missão de passar um pouco mais da cultura brasileira para vocês que estão vindo de outros países é um tanto desafiadora. Eu chamaria até de diretamente proporcional aos mais de 8 milhões de quilômetros que se estendem pelo território do Brasil.

Mas, vale a pena enfrentar esse desafio, e tentar pouco a pouco aclarar os aspectos que compõem a nossa cultura e identidade.

Por isso, resolvi começar pelo descobrimento. Pelo momento em que teoricamente nosso país começava a existir, e o quanto ele se tornou diferente dos demais países latinos americanos a começar por um idioma distinto e posteriormente por outros motivos que também vamos tratar nas aulas.

O que valeu contar é que antes mesmo dos portugueses chegarem, os índios que aqui viviam já tinham escolhido um nome para esta terra que a eles pertenciam. Da palavra indígena Pindorama – que significa “terra de papagaios” no idioma tupi-guarani-

Em uma expedição comandada por Pedro Álvares Cabral, foi no dia 22 de abril de 1500 que as caravelas portuguesas desembarcaram em Porto Seguro na Bahia. O que hoje é o Brasil passou a ser chamado de Ilha de Vera Cruz e depois que constaram que não se tratava apenas de uma ilha, passou a ser Terra de Santa Cruz.

E é aí que esse vídeo (apesar de feito para crianças) pode ajudar a entender esses muitos nomes e a chegada dos portugueses.

A influência indígena na formação do povo brasileiro é segundo define o antropólogo Darcy Ribeiro o ponto inicial da mistura que aqui se iniciou. Além dos hábitos que aprendemos com os índios como o amor a musica e a dança, dormir em redes, as milhares de palavras do vocabulário tupi que são usadas diariamente em nosso vocabulário, as índias foram de acordo com Darcy as mães dos primeiros filhos dessa terra.

                 “O fenótipo predominante do brasileiro é o de um moreno cobreado, porque foram raríssimas as   mulheres vindas da Europa e também em número relativamente pequeno as vindas da África. A população brasileira na sua maioria é geneticamente indígena. Também no plano cultural o brasileiro é meio índio. Nossa característica distintiva, aquela que nos diferencia dos europeus e dos africanos, reside essencialmente na herança indígena, que nos deu desde os nomes que usamos para designar a natureza brasileira ate as formas de atuar e sobreviver dentro dela.”
Darcy Ribeiro, O Povo Brasileiro

Algumas palavras do dia-a-dia brasileiro, de origem tupi-guarani

Ficar com nhenhenhém – que quer dizer falando sem parar, pois nhe’eng é falar em tupi.

Chorar as pitangas – pitanga é vermelho em tupi; então, a expressão significa chorar lágrimas de sangue.

Cair um toró – tororó é jorro d’água em tupi, daí a música popular “Eu fui no Tororó, beber água e não achei”.

Ir para a cucuia – significa entrar em decadência, pois cucuia é decadência em tupi.

Velha coroca é velha resmungona – kuruk é resmungar em tupi.

Socar – soc é bater com mão fechada.
Peteca – vem de petec que é bater com a mão aberta.

Cutucar – espetar é cutuc.

Sapecar – é chamuscar é sapec, daí sapecar e sapeca.

Catapora – marca de fogo, tatá em tupi é fogo.