O Brasil da Tropicália

Por Giovanna Falchetto

Estava eu por esses dias a ouvir Tropicália de Caetano Veloso e com os olhos fixos na tela do computador, mais precisamente, em impressões de um gringo sobre o Brasil e pensei em vários pedacinhos da história do país que eu contaria se tivesse oportunidade, decidi então começar pela própria música a tocar!

tropicalia

Antes de mencionar o movimento Tropicália em si, acho mais importante falar do contexto em que ele surgiu.

Brasil, 31 de Março de 1964. Contra as medidas de cunho social propostas pelo então presidente João Goular, instaurou-se, no Brasil, a Ditadura Militar e seus muitos Atos Institucionais que acabavam com a democracia e com a liberdade de expressão. Muitos foram os movimentos que batiam de frente com essa repressão. Estudantes, cineastas, escritores, poetas e músicos por meio de sua arte lutavam contra a ditadura. Eis que surge, em 1967, o Tropicalismo o movimento contava então com cantores como Caetano Veloso, Gilberto Gil, Gal costa, tom Zé, Os Mutantes  e o maestro Rogério Duprat. Com participação de Nara Leão, José Carlos Capinan, Torquato Neto e Rogério Duarte.

Pode-se afirmar que os tropicalistas revolucionaram o meio musical do país, misturando a Musica Popular Brasileira e a Bossa Nova com tendências da cultura jovem que rolavam pelo mundo. Introduziram o rock e a guitarra elétrica famosa na época pelo som dos Beatles.

O foco da Tropicália, indiscutivelmente, foi a música. Mas todas essas composições de estilo deram ao Movimento um caráter psicodélico que chamava atenção. As roupas de Hippie e o estilo “despojado” dos integrantes destoavam do contexto “arrumadinho” da época. Muita cor, cabelos grandes ao estilo Black Power e roupas largas compunham a figura do tropicalismo.

Alem do engajamento político, pois se posicionavam contra o autoritarismo e a desigualdade Social , os tropicalistas lutavam pela internacionalização da cultura, o que era um diferencial.

 Esse é o link de um documentário incrível que saiu ano passado sobre esse movimento:

logo-Tropicalia

A BBC de Londres também veio até o Brasil para saber mais sobre o assunto e produziu esse outro documentário:

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Português de todo mundo

Por: Augusto Júnior

A heterogeneidade da Língua Portuguesa presente no Brasil ganha a cada dia novos sotaques. Além das variações regionais de nosso idioma, os estrangeiros que vêm ao país contribuem para essa diversificação linguística. De acordo com o Ministério da Educação, na última década o número de inscritos no Celpe-Bras, exame de proficiência em português, subiu de 1.155 para 6.139.

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Esse aumento, que resulta da maior disseminação da imagem do país no exterior, evidencia o interesse dos “gringos” em imergir e descobrir o Brasil. Reflexo disso é o aumento anual no número de alunos em intercâmbio na UNESP. Esses, que muitas vezes chegam com apenas uma noção básica do português, precisam estudar e enfrentar o idioma que, por muitos, é tido como um dos mais difíceis do mundo.

Bem, falar que um idioma é mais complicado que o outro é relativo. Para os falantes de espanhol, que são maioria no câmpus de Bauru, a língua portuguesa não é um grande desafio quando em comparação com os falantes de alemão, francês ou croata. A grande vantagem dos intercambistas é que eles contato diário com o nosso idioma, seja na rua, em casa ou nas aulas.

Entretanto, esse aprimoramento casual do português é limitado. Muitas questões gramaticais e de pronuncia acabam passando em branco. É importante que os alunos estrangeiros tenham a chance e o interesse em melhorar suas habilidades no idioma. Dessa maneira, o aproveitamento acadêmico e a experiência no Brasil serão ainda mais profundos.

Na UNESP-Bauru…

Turma 2º Semestre 2012

No segundo semestre de 2012, através da orientação do Prof. Dr. Marcelo Concário, ministrei um curso experimental de vinte horas de português para os intercambistas da universidade. Neste ano, em parceria com o projeto “Brasil de todo mundo”, estou mais uma vez colaborando com o aprimoramento do português dos estrangeiros da UNESP. Assim como no semestre passado, a experiência tem sido enriquecedora e gratificante.

O grande “monstro” para os intercambistas, independentemente de onde venham, é a conjugação de verbos. O modo subjuntivo então é o maior desafio! Porém, com o passar das aulas, eles percebem que as dificuldades em se aprender português são muito mais práticas do que pensavam. Exemplo disso é o estranhamento que eles têm ao perceberem que muitas palavras são escritas de uma forma, porém as lemos de outra. Ou então, quando se dão conta da multiplicidade de sotaques presentes dentro do próprio câmpus. “Mas, qual é o certo?”, perguntam.

O certo simplesmente não há. Todas as formas de se falar o português configuram a diversidade linguística presente no Brasil. Na verdade, o que os explico é que há o formal e o informal, o culto e o coloquial. E quando eles notam a forte diferença que existe entre essas formas, nasce um novo estranhamento. “Mas Augusto, parece quase dois idiomas diferentes!”

Quanto à pronúncia, esse é um caso bem relativo. Os falantes de espanhol têm grande dificuldade em pronunciar o som de “J”, os de francês, de alemão, e assim por diante, também têm suas respectivas dificuldades. Porém, há certo som que é um problema unânime: a pronúncia do “ão”. Quanto à ortografia, o problema para eles é o mesmo que assombra muitos brasileiros: o uso de “X”, “CH”, “S”, “SS”, “Ç” e aí vai.

Dessa maneira, enquanto eles aprimoram os conhecimentos em português, eu aprendo muito mais. Aprendo um pouco de seus respectivos idiomas, culinárias, músicas e tudo mais relacionado à cultura de suas nacionalidades. O Brasil é de todo mundo, e a língua portuguesa também!