Gente e países novos

Começando o semestre novo, com mais gente participando do projeto. Tanto brasileiros que aderiram à causa quando os estudantes estrangeiros que agora são muitos e de lugares ainda mais distintos. E essa diversidade tem deixado os encontros mais interessantes.

Acredito que o questinamento relacionado a cultura em seus próprios países é o momento em que o projeto ultrapassa os limites do tema principal que é ‘Cultura Brasileira’ e faz com que cada um viaje até seu lugar de origem buscando relação com o que é apresentado em sala. Coisas que, como alguns mesmo dizem, eles nunca tinham parado para pensar em como isso acontece em seus países, e que agora, através de um olhar para o Brasil, eles começam a refletir e até se autoconhecer melhor.

Argentina (em grande número, rs!), Paraguai, México, Uruguai, Espanha, Alemanha, França, Costa Rica, Equador, Colômbia, e Portugal são as nacionalidades presentes no projeto desse semestre. Aos poucos todos vão perdendo a vergonha de falar (em português, é claro) e de interagir uns com os outros através do nosso idioma.

Já falamos um pouco de História, culinária, literatura, cinema e muita música. A cada encontro, referências musicais e de cinema são passadas, pra que, acima de tudo, eles mesmo possam buscar mais sobre a cultura brasileira através dessas ferramentas incríveis.

Também estamos organizando sempre eventos fora da Unesp, saída e encontros mais descontraídos, que aumentam a integração do pessoal cada dia mais. E, eu acredito que eles não são menos importantes para a absorção da cultura brasileira, pelo contrário, nessas horas que mais e mais aprendemos uns com os outros de forma natural, muitas vezes sem perceber a riqueza de cada um desses momentos.

 

 

 

 

 

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Brasil de Todo Mundo no Paracatazum

As redes de culturas se multiplicam, eu acredito, muito mais através das pessoas. De uma para a outra, as trocas de conhecimento e de cultura vão acontecendo sem que a gente perceba a proporção disso tudo. Foi assim quando um dia, sem querer, mandei blog para o “fazedor” de cultura Helvio Tamoio.

Ele é dono de um projeto lindo, que começou em Araraquara – o Parazatacum: Arte, Cultura e Pensamento (http://www.paracatuzum.com.br/)  e que hoje já se estende por todo o Brasil, levando a cultura do cineclubismo para lugares onde o cinema não era nem um pouco conhecido. E, nas ondas das ideias criativas desse homem do interior de São Paulo, também nasceu um programa de rádio que é produzido e transmitido na Rádio da Universidade Federal de São Carlos. (http://www.radio.ufscar.br/)

Assim, em um dia qualquer, a gente pode falar ao vivo na rádio um pouco mais sobre o projeto. Como foi criado, os motivos que nos enchem de energia cada vez mais para continuar com ele por muito tempo dentro da Unesp e quem sabe até fora dela?

Podcast do Programa Paracatazum

Helvio e pessoal do Paracatazum, obrigada pelo espaço e parabéns pelo trabalho de vocês. Que essa iniciativa linda possa chegar em cada vez mais lugares, e que vocês, assim como a gente, possam levar um pouquinho mais da cultura brasileira (diversa e curiosa em todos os seus aspectos) para mais e mais gente.

O que vocês têm a me dizer?

A última aula “oficial” da oficina foi dada pelos alunos.

Eu levei minha câmera e quis fazer um registro de cada um deles, uma entrevista para eu guardar e também para saber o que eles realmente acharam desse tempo em que viveram no Brasil.Foi uma pena que nem todos puderam participar (porque alguns já tinham ido), mas valeu muito ouvir tudo que eles disseram. Usando um português que para mim é gracioso e bonito de ouvir. Com gírias locais, erros normais, e com a tranquilidade demostrada através da forma com que falavam, mostrando que sim, aprenderam muito bem o idioma e- espero eu- um pouco mais sobre a diversidade cultural brasileira.

Carlos – Espanha

Lupe – Argentina

Estefania- Uruguai

Oscar – México

Javi- Argentina

Gerry – México

Mada – Espanha

Ao final, eu acabei sendo entrevistada por eles, e não teve como conter as lágrimas (mas o vídeo ainda não esta no youtube, logo colocarei ). Um misto de saudade, alegria e realização ao final de tudo isso. Valeu muito a pena!

Eu, entrevistada por todos eles 🙂

Eu, entrevistada por todos eles 🙂 – parte 2

Foto da festa de despedida da Heini (que foi também a despedida oficial de todos)

Encontros fora da Unesp, as trocas inesquecíveis.

Desde o começo do semestre, agendamos vários encontros com todos os intercambistas.

Reuniões para cozinhar, as festas da universidade, e até participações dos estrangeiros em algumas aulas de espanhol que eu dou para um grupo da terceira idade de Bauru. Percebi que devagar, todos nós mergulhamos em um mar de diferentes culturas e sabores, sem falar dos saberes que aprendemos uns com os outros.

Nunca imaginei que provaria uma torta da Finlândia, nem que na Argentina também se comesse o Arroz Doce. Também experimentamos um prato chamado Papas Alemanas, feitas por um mexicano. E para beber, Oscar, o mexicano que estava sempre sorrindo nos trouxe uma tequila, ensinando os rituais que envolvem o momento de tomar a bebida. Do Brasil nós levamos sobremesas tradicionais, paçoquinha, pé-de-moleque e tapioca de côco com leite condensado. Muitos experimentaram esses doces pela primeira vez, e adoraram.

            Em um desses dias, fomos no Skinão, lugar obrigatório de se conhecer na cidade, onde todos puderam provar pela primeira vez o tradicional Bauru.

Eu tenho uma gratidão enorme à muitos desses estudantes, que se dispuseram a participar das aulas com a terceira idade. Desses momentos nasceu, ainda que rápida, uma amizade entre eles e os senhores e senhoras da UATI.

No primeiro momento, o Gerry, mexicano da região central do país esteve presente na UATI, contanto para todos sobre a cultura do seu país. Ele apresentou vídeos do ballet folclórico mexicano, e aclarou para todos o que é a diversidade e riqueza da cultura do México muito além da conhecida culinária.

A segunda participação foi do Javi, argentino de Córdoba que participou da nossa aula de degustação de vinho na Adega Garrafeira. Ele pode mostrar para todos presentes um pouco da música argentina e latino americana. Desde os clássicos tangos de Gardel, até as novas músicas populares do país, passando também por clássicos do grupo mexicano Maná, do uruguaio Jorge Drexler e muito mais.

Bastou esse dia para que todos os alunos da terceira idade pedissem a cada aula a presença de um desses jovens.

Carlos, estudante espanhol de engenharia também esteve presente em duas aulas, porque uma não foi suficiente, e a curiosidade de todos os alunos para saber mais sobre a Espanha, a crise, e o simples escutar do sotaque de alguém da Espanha fez com ele tivesse que voltar.

E aí não pararm de surgir convites para que a integração fosse ainda maior.

A linda dona Elza, nos levou para dentro de sua casa e ofereceu para todos os estudantes uma feijoada feita por ela mesmo. E, por incrível que pareça, já no final do semestre, havia muitos que ainda não tinham experimentado o prato mais famoso da culinária brasileia. Assim, o fizeram em grande estilo e com todo o capricho que uma avó faria para seus netos.

Também organizamos uma “Cena Mexicana” no restaurante Taco Cabana. A ideia inicial era apresentar aos alunos da aula de espanhol um pouco mais da culinária do México. E o resultado foi lindo. Oscar e Gerry, nossos dois representantes do país explicaram muito sobre a comida e também sobre algumas danças típicas. O bonito desse dia, foi que todos os intercambistas interagiram de algum modo com a terceira idade. A Heini da Finlândia, a Laura da Espanha, a Yendry da Costa Rica e é claro, os mexicanos.

     Por esse e por todos os outros motivos, eu só tenho a agradecer a vocês, pela experiência que proporcionaram para todas essas pessoas. E eu o mais importante que tenho a dizer é que eles se lembram de cada um de vocês com muito, MUITO carinho mesmo!