Viajando pelo tempero capixaba

          Giovanna Falchetto, estudante de jornalismo da Unesp é capixaba e isso significa que ela nasceu no Espírito Santo, estado brasileiro que faz parte da região sudeste, fazendo fronteira com o Rio de Janeiro, com Minas Gerais e ao norte com a Bahia. Pouco conhecido por nós, paulistas, esse local reserva belezas naturais, expressões e peculiaridades culturais  diversificadas que representam de forma intensa a cultura brasileira. Ela vai falar um pouco pra gente sobre sua terra, e sobre uma tradição culinária da região, trazendo informações interessantes do local, com uma receita de dar água na boca. 

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Aproveitando o clima, meu primeiro post será sobre minha terrinha, sou de Vitória- Espírito Santo. E por lá, nesta época de Páscoa temos uma tradição seguida religiosamente. Como o feriado é cristão e no Estado a maioria segue essa doutrina por conta da colonização e influências, as pessoas não costumam comer carne vermelha na semana santa.

A Torta capixaba foi criada pelos índios e adaptada pelos portugueses, quando estes chegaram ao Brasil, se tornou característica deste feriado por conta do, já citado, costume de não comer carne vermelha. Os nativos comiam uma mistura de frutos do mar e palmito. Como os portugueses já possuíam o hábito de comer frutos do mar, apenas incrementaram o prato, incluindo o marisco e o bacalhau.

A torta é uma mistura de siri, bacalhau, caranguejo, badejo ( um peixe típico destas águas), ostra, sururu, palmito, tomate e temperos à gosto.

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Ainda circulando pela gastronomia capixaba, é impossível deixar de citar a moqueca, patenteada e conhecida no Brasil inteiro pelo sabor ímpar e leveza do prato. A curiosidade envolvendo a Moqueca diz respeito ao meio de fazê-las.

As peneleiras de barro de Goiabeiras são, muitas vezes, mais lembradas do que a própria moqueca.

 

Sua origem vem, também, das tribos indígenas que ali habitavam. A matéria- prima para sua confecção é retirada dos manguezais por isso a maior produção das panelas fica em goiabeiras, bairro que comporta o maior manguezal urbano do mundo.

A produção é tão importante cultural e financeiramente para o Estado que foi criada a Associação das Paneleiras de Barro e hoje a produção não mais é feita nas casas das mulheres e sim na associação.

 Receita da Torta

Rendimento para 6 pessoas.

Ingredientes

  •  Cebola, alho, azeite doce, azeitona, limão, coentro, cebolinha verde, tomate a gosto;
  •   ½kg de palmito natural previamente cozido;
  •   200gr de siri desfiado e cozido;
  •   200gr de caranguejo desfiado e cozido;
  •   200gr de camarão cozido;
  •   200gr de ostra cozida;
  •   200gr de sururu cozido;
  •   200gr de badejo desfiado e cozido;
  •   500gr de bacalhau desfiado e cozido.

Observação: Para cozinhar esses ingredientes, fazem-se as moquecas de cada um e retira-se todo o caldo, deixando-os o mais seco possível.

Modo de Preparo

  •   Prepare um refogado com cebolas, alho, pimenta, azeite doce, azeitonas e limão.
  •   Leve-o ao fogo com o palmito natural e espere até desaparecer a água e ganhar consistência.
  •   Junte, depois de limpos, desfiados, cozidos e espremidos, os ingredientes acima, mexendo até evaporar a água. Retire para esfriar um pouco. Misture uma parte da espuma de 6 claras em neve com as gemas.
  •   Quando se adicionarem os temperos aos mariscos, deve-se colocar o bacalhau para enxugar e dar liga à massa.
  •   Cozinhe à parte 6 ovos, que servirão apenas para enfeite juntamente com azeitonas e rodelas de cebola.
  •   Coloque a massa em uma panela de barro e a leve ao forno, retirando-a quando a espuma estiver bem coradinha.

Espero ter mostrado um pouquinho da história e cultura do meu Estado e que vocês, leitores, tenham gostado.

Giovanna Falchetto

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Pelos sabores brasileiros

Ao invés de irmos a Unesp para fazer uma aula sobre Gastronomia Brasileira, no dia 29 de outubro a minha casa se tornou o local onde o chefe Maurício de Faria preparou deliciosos pratos inspirados nos ingredientes mais tradicionais da culinária local explicando um pouco sobre cada um deles, e é claro fazendo com que todos se deliciassem com as receitas que ele preparou.

E para acompanhar, além da decoração verde e amarela, muito suco de caju e maracujá. Muitos deles nunca tinham experimentado nem um nem o outro.

O cardápio que o Maurício preparou pra gelera foi:

Entrada: Escondidinho de mandioca com carne-seca

Prato Principal: Peixe ao molho branco com banana da terra

Sobremesa: Pudim de Leite condensado

Pode ser mandioca, aipim , macaxeira, maniva, uaipi. A forma pela qual a  mandioca foi incorporada ao nosso dia-a-dia transmitida pelos povos originários fez com que ela se tornasse um ingrediente essencial da comida brasileira. Podendo ser adaptada aos mais diversos pratos. Passando pela gastronomia gourmet dos restaurantes mais renomados do país, e estando presente junto ao “feijão com arroz” de todo dia, na farofa, nos purês, na carne, com açúcar no café da manhã nordestino, no milagre da tapioca e em tantas outras coisas. Ela representa a criatividade do brasileiro na hora de preparar um prato, e mais do que isso é um sabor que agrada a todos, pois está em nossa genética indígena saboreá-la em suas diferentes formas.

Assim como a carne -seca, consumida em diversas partes do mundo, em algumas regiões brasileiras ela passou a fazer parte da culinária diária, como no Nordeste. E pra completar a mescla de sabores, o catupiry   (queijo cremoso que ganhou o nome da primeira marca) presente e adaptável a muitos pratos, deu um toque ainda mais especial ao escondidinho (que foi um sucesso logo de cara).

Muito típico nas regiões litorâneas do Paraná, de São Paulo e do Rio de Janeiro, o peixe com banana da terra servido como prato principal também surpreendeu a galera. Misturar o doce e o salgado, em texturas diferentes é uma das artes da nossa comida. Essa tradição caiçara como é chamada, ganhou o requinte feito pelo nosso chefe, onde o peixe estava sobreposto a banana e para dar um sabor especial, o molho branco. Claro que ele foi servido com arroz para acompanhar. Ficou demais!

O famoso e clássico pudim de leite condensado finalizou o cardápio do chefe. Prato preferido de muitos brasileiros, conta a lenda que a receita foi trazida pelos portugueses, e se adaptou muito bem ao gosto dos brasileiros tornando um prato típico e presente sempre nos almoços de família e em todos os lugares.

Obrigada Maurício, pelos pratos, pelo sorriso enquanto preparava tudo e por passar pra essas pessoas lindas, de diversos lugares do mundo, um pouco mais sobre nosso querido Brasil.

Coisas da nossa infância e o brigadeiro

Outro dia na aula, o Nando Araújo (muito popularmente conhecido como Mola) trouxe ao grupo uma temática muito interessante, que nunca tinha passado pela minha cabeça abordar: a infância no Brasil.

Eu no momento em que ele me sugeriu se poderia participar dando essa contribuição, achei incrível contar um pouco para tantas pessoas de países diferentes o que nós (a maioria que viveu os loucos anos 90) fazíamos, os desenhos animados, as brincadeiras de roda, jogar taco, na rua com a turma amarelinha e tantas outras coisas que preencheram aqueles anos invesquecíveis. (ainda que pareça nostalgico, não tenho certeza se a geração de agora vive tão intensamente esse tipo de coisa, talvez haja tecnologia em excesso, o que na minha opinião pode bloquear um pouco a criatividade e a vontade de se sujar no quintal, na rua ou em qualquer outro lugar).

O Mola, com seu jeito divertido e bem humorado apresentou vídeos e músicas daquela época. Desde a Xuxa (conhecida por todos os latino americanos presentes na sala), passando pela TV Colosso (que parece estar voltando! :D), o Castelo Rá-Tim-Bum e muito mais.

Mas, o que eu achei mais interessante da apresentação, foi ele lembrar de citar como são as festas de aniversário por aqui. Os salgadinho, o bexigão, os docinhos e é claro da tamanha importância do BRIGADEIRO!

Ai, outra surpresa: muitos ainda não tinham experimentado esse quitute fácl de preparar, que encanta a todos que comem, e essencial não apenas em festas de crianças, mas em qualquer momento em que uma sobremesa se faça necessária.

Por isso, quero contar pra vocês um pouco mais sobre a história do Brigadeiro (e segue abaixo uma receitinha, pra que todos possam aprender a fazer)

Acredita-se que ele tenha sido inventado na década de 20 ou 30, com a chegada do ingrediente principal: o leite condensado. Mas, foi perto do ano 1945 que ele se popularizou com o nome que se conhece hoje, por conta da campanha eleitoral do candidato Brigadeiro Eduardo Gomes disputou com Eurico Gaspar Dutra a presidência da República, sendo derrotado nas urnas.

Gomes tinha o slogan “Vote no Brigadeiro, que é bonito e é solteiro” ganhando o coração das moças na época, que preparavam negrinhos em casa e os vendiam nas ruas com o nome de brigadeiro, fazendo alusão e Gomes e destinando o dinheiro da venda ao fundo de campanha. E em pouco tempo o nome pegou e se espalhou pelo país.

Independente de como ele surgiu, o que importa mais é saber fazê-lo. Aliás, é fácil de prepar, e acompanha bem qualquer ocasião (principalmenete aniversários)

Essa é a receita pra fazer enroladinho – mas dá pra simplesmente  “comer de colher” como falamos aqui.

Ingredientes

1 lata de leite condensado
1/2 medida de lata de leite
1 colher (sopa) de manteiga
3 colheres (sopa) de chocolate em pó
2 xícaras (chá) de chocolate granulado
40 forminhas de brigadeiro

Modo de Preparo

1. Com um pincel, unte um prato com um pouco de manteiga. Reserve.

2. Separe as forminhas umas das outras com cuidado e disponha numa travessa pequena. Reserve.

3. Numa panela, misture o leite e o chocolate em pó. Leve ao fogo baixo e mexa bem, até dissolver o chocolate.

4. Junte o leite condensado, a manteiga e, quando ferver, calcule 15 minutos cozinhando, sem parar de mexer, ou até aparecer o fundo da panela. Retire a panela do fogo e transfira o brigadeiro para o prato untado. Deixe esfriar.

5. Numa tigelinha, coloque o chocolate granulado e deixe ao lado do prato com a massa de brigadeiro.

6. Espalhe um pouco de manteiga na palma das mãos e, com a ajuda de 1 colher de chá, faça bolinhas de 2,5 cm. Passe as bolinhas pela tigelinha com o chocolate granulado, envolvendo cada uma muito bem. Em seguida, coloque as bolinhas nas forminhas. Sirva a seguir.

Fonte: Panelinha- panelinha.ig.com.br/

Mama África

Uma aula para nossa mãe África

Uma das bases da formação do povo, identidade e cultura brasileira é a matriz afriacana. E, é claro que em uma das aulas da oficina a gente trabalhou esse tema, junto a algo que deve ser uma das maiores heranças trazidas pelos navios negreiros que habita e transcende o espírito e a alma do brasileiro: a música.

A verdade é que muito além da música, assim como diz Darcy Ribeiro, a miscigenação com a cultura africana trouxe ao povo brasileiro um colorido diferente. E esse colorido está nas roupas, nos acessórios, na comida e principalmente na alegria da nossa gente.

 

Passamos pela comida com o leite-de-côco, o óleo de dendê, vatapá, acarajé, cocada, e muitas outras coisas, até o feijão de todo dia também são considerados influência africana presentes na culinária diária do brasileiro.

A história de como foi a escravidão, o tráfico de escravos, o número de negros trazidos de lá, e a triste condição em que eles viviam também foi abordado. A resistência manifestada através dos quilombos e da sobrevivência da cultura e dos costumes.Uma falsa abolição e a degradação social que os ex-escravos foram submetidos quando “libertos”.

O conhecimento e a sabedoria da cultura afriacana, que na impossibilidade de ser menifestada de forma explícita, tomou forma da crença cristã para sobreviver. E quando se tratou de treinar para saber se defender, a capoeira nasceu como uma “dança” aos olhos dos senhores de engenho e até os dias de hoje é praticada por brasileiros em todo o país e em muitos outras partes do mundo há brasileiros espalhados plantando essa cultura em outras terras.

Na aula, a participação do Du, um amigo baterista e percussionista deixou a aula mais dinâmica e animada. Ele nos trouxe instrumentos de percussão como o “shekere”, o chocalho, o agogô e até um pandeiro com o qual ele fez um samba pra gente no final.

Todo mundo pode tentar tocar os instrumentos, e conforme ele ia explicando, aprender um pouco dos ritmos brasileiros.

Terminamos a aula ouvindo algumas músicas que eu tinha escolhido pra mostrar pra eles: Cartola, Paulinho da Viola, Adoniran e Noel. E, a partir da ideia dos próprios alunos, todos tiveram que sambar (ou pelo menos tentar) ao som desses mestres da música brasileira.

Cartola

Talismã – Paulinho da Viola