Vinícius de Moraes, poeta brasileiro de corpo e alma

vinicius-de-moraes

Nascido em 19 de outubro de 1913, Vinícius de Moraes completaria em 2013 cem anos de vida. Ainda que, ele não precisou de muito tempo para que seu nome, sua música e todas as suas realizações ficassem gravadas pra sempre na história do Brasil e do mundo. Carioca da Gávea, filho de Clodoaldo Pereira da Silva Moraes, funcionário da prefeitura, poeta, violonista amador, e de Lídia Cruz de Moraes, pianista também amadora.

Conhecido pelo apelido de poetinha, carinhosamente atribuído pelo músico e compositor e parceiro Tom Jobim, Vinícius de Moraes foi músico, poeta, compositor, diplomata, jornalista e dramaturgo. Começou a compor aos 15 anos de idade, e em 1933 lançou seu primeiro livro de poemas, nessa mesma época se formou em Direito e concluiu o Curso Oficial de Reserva.

Em 1938 ganhou uma bolsa para estudar na Universidade de Oxford, na Inglaterra, e ao retornar entrou para o Ministério das Relações Exteriores. Atuou como diplomata a partir de 1943, onde passou pelos Estados Unidos, Uruguai e França. Mesmo fora dessa carreira, percorreu diversos países, praticando a profissão de jornalista, e escrevendo seus poemas e demais obras literárias.

Um homem apaixonado pela vida e pelas mulheres, casou-se nove vezes e viveu a vida intensamente. Seus poemas, após certo tempo, passaram a retratar a realidade social do Brasil e, sobretudo suas paixões e a temática do amor passou a ser o eixo central de sua poesia. Os sonetos e poemas desse período marcaram a história da literatura e da música brasileira.

Foi em parceria com Tom Jobim que Vinícius compôs o clássico Garota de Ipanema e muitas outras canções da Bossa Nova que alcançaram o mundo, sendo cantadas por músicos ilustres internacionais e reproduzidas em muitos idiomas. Também fizeram parte de suas parcerias musicais Baden Powell, João Gilberto, e principalmente Toquinho que musicou e cantou inúmeras canções junto ao poetinha.

Vinicius e Toquinho

Ele levou a poesia e o charme da mulher brasileira e do Brasil aos quatro cantos do planeta. Com seus poemas Vinícius conquistou admiradores com sua forma de viver a vida intensamente, se apaixonando pelos lugares e pessoas, em casa lugar em que vivia, deixando amigos e paixões. Uma de suas frases mais famosa expressa a forma com que levou sua vida e sua história: “A vida é a arte do encontro, embora haja tanto desencontro pela vida”.

Clássico, Garota de Ipanema

Um sucesso, cantado com Toquinho e Miúcha

Anúncios

Cultura popular brasileira sob o olhar folclórico do Yauaretê

O resgate e a promoção da cultura tradicional e da valorização da identidade indígena e africana em Bauru e região.

“Ninguém ouviu um soluçar de dor no canto do Brasil. Um lamento triste sempre ecoou desde que o índio guerreiro foi pro cativeiro e de lá cantou. Negro entoou um canto de revolta pelos ares no Quilombo dos Palmares onde se refugiou”. A música ‘Canto das três raças’, composta por Paulo César Pinheiro e Mauro Duarte, sucesso na voz de Clara Nunes, poetisa sobre o país multicultural formado historicamente através da confluência entre o índio, o negro africano e o europeu. A letra da canção faz referência ao processo inicial de miscigenação do Brasil, executado por meio da repressão dos valores, crenças e costumes dos povos nativos e, posteriormente, dos africanos trazidos como escravos do outro lado do oceano Atlântico.

Vanessa Cancian
Vanessa Cancian

Apesar da tamanha opressão, manifestações da cultura indígena e africana sobreviveram ao passar do tempo. Desde palavras no vocabulário, a comida, a música, passando por fatores que determinam a personalidade do brasileiro, como gosto pela dança e pela festa, pontuam alguns dos aspectos agregados através da mescla étnica. Reflexos apontados, sobretudo no que se conhece popularmente como folclore, exibe a vivacidade cultural indígena e africana espalhada por diversos rincões do território nacional, em constante necessidade de preservação.

Vanessa Cancian
Vanessa Cancian

Na cidade de Bauru, um instituto criado no final da década de noventa, com a finalidade inicial de acolher “culturalmente” pessoas vindas do Amazonas para fazer tratamentos no Hospital do Centrinho da USP, leva no nome o significado primordial de sua origem: Yauaretê. O nome remete ao povoado localizado no município amazonense de São Gabriel da Cachoeira, lugar onde nasceu a co-fundadora Sandra Pereira, em meio ao território indígena do Alto Rio Negro, imersa em um universo cultural totalmente distinto do existente no interior de São Paulo.

Tito Pereira, o idealizador do projeto, viu nas origens de sua esposa Sandra a possibilidade de reavivar na região a valorização das manifestações folclóricas e relacionadas à cultura tradicional brasileira. “Nossa ideia inicial era criar a ‘Casa Amazonense’ para aproximar os migrantes presentes na cidade de seus costumes, como a gastronomia, as festividades, o clima, optando-se por mostrar essa identidade através das danças, mitos, lendas etc. Mas, vimos que poderíamos realizar um trabalho que fosse além do Amazonas, passando por tudo que há de cultura afro-brasileira e principalmente resgatando os tão esquecidos valores indígenas”, explica o paulista apaixonado por folclore brasileiro.

No ano de 2005, o projeto foi oficializado como instituto cultural, desde então vem promovendo na cidade de Bauru e região trabalhos que divulgam o folclore brasileiro, através de eventos com apresentação de danças tradicionais, como o Boi-Bumbá de Parintins-AM, Quadrilha e Catira, também presentes no interior de São Paulo, juntamente à moda de viola.

Tudo aquilo que é visto com frequência pela sociedade como costumes um pouco ultrapassados para as gerações de agora, o instituto se mostra capaz de executar e fazer acontecer de maneira contemporânea, como encontros direcionados à “contação” de histórias, principalmente sobre lendas indígenas e mitos da sabedoria popular.  A organização de saraus de poesia e oficinas de artesanato também se encontra entre as prioridades dos projetos do casal Sandra e Tito.

“Trabalhamos pela preservação do patrimônio material e imaterial da cultura brasileira, principalmente fazendo pesquisas e acervo de objetos voltados para as questões do negro, do índio e das populações ribeirinhas”, conta Tito. Sobre a inspiração, ele afirma ter vindo após ter tomado conhecimento de que a população indígena ribeirinha de Yauaretê estava lutando em busca de reavivar o idioma e os costumes de seus antepassados, para que eles não se perdessem. “Na mesma hora pensei em trabalhar para que os nossos costumes e as nossas origens voltassem a ser motivo de estudo, de vivência, inspiração e valor para a região” afirmou com olhar ainda sonhador, de dever parcialmente cumprido.

Entre as principais realizações do instituto, desde sua fundação, está o Festival do Folclore, a Cavalgada de Tropeiros, a Festa Junina Comunitária da Comunidade Bento Cruz, o Sarau Poético “Ivone Francisco de Souza”, Oficina de resgate da tradição oral, o “Vozes da Lenda”, o Projeto “Culturando Bauru”, o Projeto Cultural de Proteção Ambiental (utilizando a figura do Saci), o Projeto de Revitalização da Cultura Caipira e, a cada dois anos, o Fórum Nacional Interdisciplinar Cultura-Folclore, em parceria com a USC.

O instituto foi contemplado no ano de 2010, pelo edital de “Pontos de Cultura”, do Ministério da Cultura, e desde então desenvolve o projeto “Identidade Cultural de Bauru e Região”, abrangendo aproximadamente 40 cidades. O trabalho realizado após esse reconhecimento, esclarece Tito, consiste em conhecer, identificar, registrar e estimular a formação de uma rede sociocultural na sua área de atuação, objetivando, através do levantamento de dados, o mapeamento da região para estabelecer uma rede sistematizada de trocas de experiências, informações e outros.

Muito além do Saci-Pererê

FOTO 4

“Folclore é tudo aquilo que estabelece a nossa identidade e, principalmente, o que valorizamos para que não se perca. Representa a normatização da cultura popular, transformando-a em tradição”, explica Antônio Walter Ribeiro Júnior, professor de antropologia da USC. De acordo com o especialista, a palavra tem seu significado relacionado às mais diversas formas de manifestação popular, como os saberes, os costumes, as tradições e tudo mais produzido e valorizado pelo povo e seus possíveis desdobramentos na sociedade.

Embora a palavra atualmente tenha caído não em desuso, mas sim em um uso incorreto e que diminui sua relevância, a proposta do Yauaretê vem na contra partida do senso comum, mostrando que o folclore de fato deve ser entendido e valorizado como algo abrangente e fundamental para o resgate da identidade e principalmente para a composição do que se conhece por cultura brasileira.

O violeiro e pesquisador da cultura paulista, Noel Andrade, define a diversidade cultural brasileira como algo inexplicável e único, “A gente vê na cara dos brasileiros que cada um veio de um canto diferente e eu acredito que nossa mistura proporciona mais riqueza ainda, tanto relacionada às pessoas quanto à cultura que se produz aqui”, aponta o músico. E ainda completa, “A gente não sabe se descendemos de índio ou de negros ou portugueses, por exemplo, mas chega uma hora em que a alma da gente pede.” Em sua opinião, a cultura e o folclore popular estão no que se escuta, na roupa que se veste, naquilo que se escreve, na alimentação e, principalmente, no momento em que isso tudo passa a fazer parte do dia-a-dia e da essência do ser brasileiro.

 

Estamos de volta

 

Brasil de Todo Mundo

Há duas semanas atrás começaram oficialmente as atividades do projeto Brasil de Todo Mundo.

Eu, Vanessa Cancian e a Larissa Batista, que nesse ano de 2013, na volta do seu intercâmbio para Córdoba abraçou o projeto com muitas ideias, com dedicação e principalmente com vontade de fazer algo novo e diferente no campus da universidade. Estou sentindo cada vez mais, que vamos conseguir fazer com que nossa iniciativa chegue a mais lugares, e que as pessoas percebam a importância da discussão e fomento do universo cultural brasileiro em todos os ambientes.

Organizamos uma reunião oficial com a presença do orientador do projeto, Prof. Dr. Juarez Xavier e de autoridades acadêmicas responsáveis pelo intercâmbio nas três faculdades que compõem o campus de Bauru. A FAAC ( Faculdade de Arquitetura, Artes e Comunicação), a FEB (Faculdade de Engenharia) e a FC (Faculdade de Ciências).

O Augusto, aluno de jornalismo, apresentou ao pessoal o projeto que executou no semestre passado com os estudantes. Ele deu uma oficina de Língua Portuguesa, especialmente preparada para os estrangeiros, esclarecendo dúvidas e ampliando o conhecimento deles com o idioma. Nesse semestre, mais uma vez vamos seguir com esse trabalho, e pretendemos começar na semana que vem. (na forma de uma oficina intensiva de Português)

 

Também participaram alunos de outros cursos da graduação, interessados no assunto e principalmente em ajudar o pessoal que vem de fora morar em Bauru nesse período. Nossa principal meta é somar cada vez mais pessoas, unindo diversidade e trocas de conhecimentos durante os encontros semanais que começam nessa quinta-feira.

Ainda estamos para definir a sala em que faremos o encontro dessa semana, mas o horário será o dia e continuam o mesmo do ano passado (para aqueles alunos que seguem mais um tempo com a gente, como o Benoit da França, o Carlos e o Steven da Colômbia e a Yendry da Costa Rica).

Esperamos mais uma vez que todos que queiram, possam se juntar a nós nesse desafio cheio de surpresas que tem sido apresentar o Brasil as pessoas de diferentes lugares.

Viajando pelo tempero capixaba

          Giovanna Falchetto, estudante de jornalismo da Unesp é capixaba e isso significa que ela nasceu no Espírito Santo, estado brasileiro que faz parte da região sudeste, fazendo fronteira com o Rio de Janeiro, com Minas Gerais e ao norte com a Bahia. Pouco conhecido por nós, paulistas, esse local reserva belezas naturais, expressões e peculiaridades culturais  diversificadas que representam de forma intensa a cultura brasileira. Ela vai falar um pouco pra gente sobre sua terra, e sobre uma tradição culinária da região, trazendo informações interessantes do local, com uma receita de dar água na boca. 

images

Aproveitando o clima, meu primeiro post será sobre minha terrinha, sou de Vitória- Espírito Santo. E por lá, nesta época de Páscoa temos uma tradição seguida religiosamente. Como o feriado é cristão e no Estado a maioria segue essa doutrina por conta da colonização e influências, as pessoas não costumam comer carne vermelha na semana santa.

A Torta capixaba foi criada pelos índios e adaptada pelos portugueses, quando estes chegaram ao Brasil, se tornou característica deste feriado por conta do, já citado, costume de não comer carne vermelha. Os nativos comiam uma mistura de frutos do mar e palmito. Como os portugueses já possuíam o hábito de comer frutos do mar, apenas incrementaram o prato, incluindo o marisco e o bacalhau.

A torta é uma mistura de siri, bacalhau, caranguejo, badejo ( um peixe típico destas águas), ostra, sururu, palmito, tomate e temperos à gosto.

torta1

Ainda circulando pela gastronomia capixaba, é impossível deixar de citar a moqueca, patenteada e conhecida no Brasil inteiro pelo sabor ímpar e leveza do prato. A curiosidade envolvendo a Moqueca diz respeito ao meio de fazê-las.

As peneleiras de barro de Goiabeiras são, muitas vezes, mais lembradas do que a própria moqueca.

 

Sua origem vem, também, das tribos indígenas que ali habitavam. A matéria- prima para sua confecção é retirada dos manguezais por isso a maior produção das panelas fica em goiabeiras, bairro que comporta o maior manguezal urbano do mundo.

A produção é tão importante cultural e financeiramente para o Estado que foi criada a Associação das Paneleiras de Barro e hoje a produção não mais é feita nas casas das mulheres e sim na associação.

 Receita da Torta

Rendimento para 6 pessoas.

Ingredientes

  •  Cebola, alho, azeite doce, azeitona, limão, coentro, cebolinha verde, tomate a gosto;
  •   ½kg de palmito natural previamente cozido;
  •   200gr de siri desfiado e cozido;
  •   200gr de caranguejo desfiado e cozido;
  •   200gr de camarão cozido;
  •   200gr de ostra cozida;
  •   200gr de sururu cozido;
  •   200gr de badejo desfiado e cozido;
  •   500gr de bacalhau desfiado e cozido.

Observação: Para cozinhar esses ingredientes, fazem-se as moquecas de cada um e retira-se todo o caldo, deixando-os o mais seco possível.

Modo de Preparo

  •   Prepare um refogado com cebolas, alho, pimenta, azeite doce, azeitonas e limão.
  •   Leve-o ao fogo com o palmito natural e espere até desaparecer a água e ganhar consistência.
  •   Junte, depois de limpos, desfiados, cozidos e espremidos, os ingredientes acima, mexendo até evaporar a água. Retire para esfriar um pouco. Misture uma parte da espuma de 6 claras em neve com as gemas.
  •   Quando se adicionarem os temperos aos mariscos, deve-se colocar o bacalhau para enxugar e dar liga à massa.
  •   Cozinhe à parte 6 ovos, que servirão apenas para enfeite juntamente com azeitonas e rodelas de cebola.
  •   Coloque a massa em uma panela de barro e a leve ao forno, retirando-a quando a espuma estiver bem coradinha.

Espero ter mostrado um pouquinho da história e cultura do meu Estado e que vocês, leitores, tenham gostado.

Giovanna Falchetto