Bossa Nova no bosque da Unesp

As vezes o acaso e algumas intenpéries do tempo e do espaço fizeram com que as aulas não fossem sempre na mesma sala. O que no caso desse dia, em específico, foi muito bom.

Outro acaso foi a mãe da minha amiga Ana estar em Bauru em uma das quintas-ferias que a gente tinha o curso. E ela, com toda sua simpatia, energia positiva e é claro, seu talento único para cantar e tocar no violão as melhores músicas da Bossa Nova e da MPB, fez de uma de nossas aulas um momento interessante e eu diria até que mágico.

Na minha opinião, a música é uma das melhores maneiras de sensibilizar as pessoas, para um conhecimento e uma sensação diferente de qualquer coisa. É por isso que eu sempre procuro levar alguma referência musical (desse vasto e diverso terreno que é a música brasileira) para que cada um possa levar para o seu país um poquinho mais do Brasil, através de melodias e da poesia que exala em muitas canções que escutamos.

A tia Cládia nos acompanhou, e por uma questão errada (que no fim deu certo) de logística, ficamos sem a chave da sala onde as reuniões normalmente acontecem. Por isso, nos juntamos e fomos até o bosque da faculdade. E quer lugar melhor para ouvir uma boa música? Não deu outra. O clima do lugar veio a calhar com a ideia de interação, e todos sentados em roda ouviram e cantaram junto com ela.

Entre uma música e outra aconteceu um bate-papo sobre a origem da Bossa Nova. E com demonstrações ritmicas no violão ela ia demonstrando aos alunos cada uma das características do estilo que também ficou conhecido como “música de apartamento”

No final, todos com a letra em mãos, cantamos Garota de Ipanema de Tom Jobim. Acho que não dá pra descrever a sensação e a felicidade de todos no final. Abraços e beijos de agradecimento a nossa musicista que encheu de encanto essa aula. Tenho certeza que esse dia foi “um” dos mais inesquecíveis entre todos os momentos que compartilhamos.

Esse é o link da galera no bosque, cantando:

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Apresentando o Chico.

Eu levei alguns dvds daquela coleção do Chico, na mesma aula sobre as regiões. Pensei que seria legal falar um pouco dele, de como sua música foi e é marcante em toda história da música brasileira e todas aquelas coisas mais sobre ele e sua genialidade. Achei um tanto engraçado, que logo após ouvir um pouco, os dvds já foram sendo agarrados em cima da mesa. Aí eu vi que já tinha valido a pena.

O que aconteceu foi que eu pude ver, nos olhos de cada um sentados naquela sala, enquando passava o vídeo do Chico cantando Tatuagem – aquele em que ele e o Caetano estão novinhos e com um visual ao gosto da época – a sensação de descobrir uma música incrível. Cheia de poesia, de contrantes, de altos e baixos que fazem a voz do cantor ficar ainda mais em sintonia com as melodias, uma a uma, milimetricamente pensadas e compostas.

Eu não tenho a musicalidade e o talento necessários para comentar a obra desse célebre poeta-mestre da música brasileira, mas falo como uma leiga admiradora de seu trabalho, tanto como músico como escritor, ouvir e saber compreender as canções do Chico é parte fundamental do aprendizado do “viver brasileiro” Acho até que se trata de compreender um português diferente, falado pelas mais diversas classes em diferentes momentos da história do Brasil.

Desde os censurados da ditadura até o mais intímo sentimento de amor feminino, que ele sabe interpretar como poucos.

Já falar da literatura, não da pra descrever o que é o Chico escritor. Grandioso porporcionalmente à música. Em seu último livro, Leite Derramado  é um daqueles livros que fazem você ser reportado da realidade presente, e te levam a um tempo paralelo, a uma crônica carregada de sentimentos e sensações únicas. Não só esse, mas os outros livro dele são incríveis. Uma leitura que não se compara, por isso, é difícil achar as palavras certas para descrevê-la.

Por falar em Brasil, a primeira aula.

Bom, na nossa primeira aula – que infelizmente não temos o registro fotográfico ou a foto-chamada completa (faltou né Gerry?) – a gente começou conversando sobre como seria a oficina. A verdade é que eu tentei falar da ideia e de como me faz bem pensar que estou podendo colocar em prática esse sonho que nasceu em terras argentinas e idealizado por um amigo mexicano.

Fotos: Garoto Gerry

Como eu disse, a ideia veio da argentina, e junto com os hermanos do grupo, sempre tem um mate, instensificando a mescla de culturas que acontece.

O que eu quis deixar claro é que a missão de passar um pouco mais da cultura brasileira para vocês que estão vindo de outros países é um tanto desafiadora. Eu chamaria até de diretamente proporcional aos mais de 8 milhões de quilômetros que se estendem pelo território do Brasil.

Mas, vale a pena enfrentar esse desafio, e tentar pouco a pouco aclarar os aspectos que compõem a nossa cultura e identidade.

Por isso, resolvi começar pelo descobrimento. Pelo momento em que teoricamente nosso país começava a existir, e o quanto ele se tornou diferente dos demais países latinos americanos a começar por um idioma distinto e posteriormente por outros motivos que também vamos tratar nas aulas.

O que valeu contar é que antes mesmo dos portugueses chegarem, os índios que aqui viviam já tinham escolhido um nome para esta terra que a eles pertenciam. Da palavra indígena Pindorama – que significa “terra de papagaios” no idioma tupi-guarani-

Em uma expedição comandada por Pedro Álvares Cabral, foi no dia 22 de abril de 1500 que as caravelas portuguesas desembarcaram em Porto Seguro na Bahia. O que hoje é o Brasil passou a ser chamado de Ilha de Vera Cruz e depois que constaram que não se tratava apenas de uma ilha, passou a ser Terra de Santa Cruz.

E é aí que esse vídeo (apesar de feito para crianças) pode ajudar a entender esses muitos nomes e a chegada dos portugueses.

A influência indígena na formação do povo brasileiro é segundo define o antropólogo Darcy Ribeiro o ponto inicial da mistura que aqui se iniciou. Além dos hábitos que aprendemos com os índios como o amor a musica e a dança, dormir em redes, as milhares de palavras do vocabulário tupi que são usadas diariamente em nosso vocabulário, as índias foram de acordo com Darcy as mães dos primeiros filhos dessa terra.

                 “O fenótipo predominante do brasileiro é o de um moreno cobreado, porque foram raríssimas as   mulheres vindas da Europa e também em número relativamente pequeno as vindas da África. A população brasileira na sua maioria é geneticamente indígena. Também no plano cultural o brasileiro é meio índio. Nossa característica distintiva, aquela que nos diferencia dos europeus e dos africanos, reside essencialmente na herança indígena, que nos deu desde os nomes que usamos para designar a natureza brasileira ate as formas de atuar e sobreviver dentro dela.”
Darcy Ribeiro, O Povo Brasileiro

Algumas palavras do dia-a-dia brasileiro, de origem tupi-guarani

Ficar com nhenhenhém – que quer dizer falando sem parar, pois nhe’eng é falar em tupi.

Chorar as pitangas – pitanga é vermelho em tupi; então, a expressão significa chorar lágrimas de sangue.

Cair um toró – tororó é jorro d’água em tupi, daí a música popular “Eu fui no Tororó, beber água e não achei”.

Ir para a cucuia – significa entrar em decadência, pois cucuia é decadência em tupi.

Velha coroca é velha resmungona – kuruk é resmungar em tupi.

Socar – soc é bater com mão fechada.
Peteca – vem de petec que é bater com a mão aberta.

Cutucar – espetar é cutuc.

Sapecar – é chamuscar é sapec, daí sapecar e sapeca.

Catapora – marca de fogo, tatá em tupi é fogo.

Jack soul Brasileiro

Um estilo irreverente de cantar, o sotaque nordestino, uma voz marcante e única e que ao mesmo tempo é delicada, e se faz gostosa de ouvir. É assim que eu costumo definir a música do Lenine. Ele nasceu em Recife, Pernambuco, e teve uma infância influenciada pelas músicas que o pai comunista escutava. E como acontece com a maioria, ele também teve que deixar sua terra natal, seu nordeste querido e vir em busca de trabalho/sucesso no Rio de Janeiro e em São Paulo – onde tudo acontece, desde sempre -.

Ele canta, toca e compõe letras que foram e são tocadas por muitos músicos da MPB como Elba Ramalho, Maria Rita, Fernanda Abreu, Maria Bethania. Muita gente não sabe, mas Lenina possui mais de 500 composições, e muitas delas estão tocando por aí, espalhadas pelo muitos intérpretes da música brasileira.

A temática de suas letras agregam traços da cultura brasileira, com temas de manifestos e que ao mesmo tempo resgata as raízes do nosso povo.

Ele é reconhecido pelo seu talento como instrumentista, pois tem um estilo peculiar de tocar violão, e de ao mesmo tempo utilizá-lo como instrumento de percussão.O músico fez parcerias com outros nomes latino americanos…

“Miedo” com a mexicana Julieta Venegas…

“O último pôr do sol”, com o chileno Vitor Astroga

Lenine já ganhou por diversos anos prêmios no Grammy Latino.

Em 2009, a música “Martelo Bigorna” ganhou na categoria de melhor música brasileira

Martinho do Brasil

Entre as muitas influências da África, uma herança se fez maior. O Brasil foi presenteado com o ritmo do samba. E, dentre as diversas vertentes desse estilo, há músicos em estilos diferentes que fizeram e fazem a história desse ritmo que leva o nome do nosso país por onde passa.

E esse de quem vou falar agora, é um personagem relativamente jovem nessa trajetória, mas que já teve tempo suficiente de marcar seu nome e estilo se tornando inesquecível para as gerações dos nossos avós, pais e com certeza sua música continuará contemplando o futuro que vem por aí.

Assim como quase todo “bom brasileiro”, ele teve uma infância simples e jamais sonhava brilhar como aconteceu. Pulando a parte dos dados bibliográficos – (que você pode saber mais clicando aqui) – o que eu quero contar é que Martinho da Vila tornou-se em pouco tempo um dos maiores vendedores de discos do país.

Mas ele foi além da música e do samba. Martinho é autor de dez livros, onde alguns tratam da cultura africana e do movimento negro no Brasil – o qual ele é um dos maiores representantes. O músico se fez também durante muito tempo o elo que ligou nosso querido país a Angola resgatando e “religando” os pontos culturais entre eles.

Martinho cantou o Brasil, as mulheres, a vida e ao amor, cantou Noel Rosa, em escolas de samba e em botecos. Mais do que isso, encantou com sua música e seu samba, e segue a fazer os corações brasileiros batucarem seu ritmo por onde passa.

Martinho, em Disritmia

Para todas as mulheres